Arrivederci Milano!!!

Hoje despedimo-nos de Milão, mas ontem ainda tivemos tempo de ir conhecer a Pinacoteca, um dos centros culturais da cidade, e o Quadrilátero da Moda, um bairro dedicado às grandes marcas, que engloba a Via Montenapoleone, Via Spiga, etc., um deleite para os olhos e um alívio para a carteira… porque fica levezinha, levezinha!



Ah, visitámos ainda a praça do Teatro alla Scala, do outro lado da Galleria Vittorio Emmanuelle. É outro dos pontos culturais da metrópole, especialmente no que toca a ópera.



E adeus bella cità! Não digo que voltemos um dia, porque conhecemos-te por fora e por dentro, ao pormenor, mas, se regressarmos, os Lagos serão um destino, a frustrante «Última Ceia» será visitada, sem dúvida, e as cidades nas redondezas são aconselhadas a quem gosta de passeios no campo e rurais regatas de barco.



Arrivederci Milano!!!


Galleria Vittorio Emmanuelle II

A Galleria Vittorio Emmanuelle II encontra-se do lado direito do Duomo, quem está de costas para a entrada, no lado oposto ao Palazio Realle, e é o centro comercial mais antigo do mundo. Concebida em 1861 e construída entre 1865 e 1877, a galeria constitui um dos marcos elegantes de Milão, exibindo as marcas mais luxuosas do mundo, como Prada ou Dolce & Gabanna. Mesmo aqueles que não têm condições de comprar nem um botão nas boutiques não se sentem constrangidos em entrar e sentirem-se, por momentos, abastados… nem que seja pelo facto de haver sempre um porteiro a segurar-nos a porta. Chique!

No pavimento da Galleria vão encontrar um touro em mosaico e, se tiverem sorte, um bando de turistas às voltas como se tivessem voltado a ser crianças. Para aquele que não vai preparado, o mais natural é ignorar, mas nós sabíamos que pôr o pezinho no sítio dos testículos do touro e dar três voltas completas potencia, segundo reza a tradição, a fertilidade. Há quem diga que é para a «boa fortuna» ou «boa sorte», mas… são os testículos do touro, ok? Portanto, as senhoras de 60 anos já não precisam de andar às voltas. Nós [os dois] fizemos a nossa parte!

Um facto histórico curioso em relação à construção da Galleria Vittorio Emmanuelle II tem a ver com o seu arquitecto. Giuseppe Mengoni faleceu na véspera da inauguração do local, quando caiu do telhado, onde inspeccionava os últimos detalhes. Contudo, a sua obra permaneceu e é verdadeiramente imponente e o nosso nariz naturalmente arrebita quando passeamos pelo edifício octogonal. Não fosse o chinelinho no pé e já estaríamos a chamar pelo Jarbas ou pelo Ambrósio, para nos carregarem os sacos… imêêênnnnsossss!

Ah, em resposta à Joana, é «o» Duomo… Não sei, creio que passa por aquele facto de, dependendo da língua, alguns substantivos mudarem de género. As coisas não são lineares. Mas que é lindo, é! LOL!

Milão em dois dias

Hoje descobrimos que Milão se consegue ver (bem) em dois dias. Se tiverem o percurso bem planeado, tal como nós fizemos, conseguem conhecer a cidade em dois dias e sem andar à pressa, a menos que não queiram caminhar 12 horas, como nos aconteceu ontem. Nesse caso, reservem três dias para a capital da moda, até porque, se reservarem com antecedência, conseguem ir ver «A Última Ceia», algo que nós não pudemos fazer e, portanto, sobrou-nos mais tempo.



Anyway, hoje o destino foi o Duomo, a terceira maior catedral do mundo e o verdadeiro ponto turístico de Milão. Duomo, que é o centro geofísico da cidade, significa «casa», o que é bastante apropriado, uma vez que a catedral, que foi construída há séculos, tinha como objectivo albergar toda a população de Milão, que, na altura, era de 40 mil pessoas. Nota turística:para entrar, é obrigatório ter os ombros cobertos, portanto lembrem-se as meninas de não levar nada com alças ou cai-cais, e os meninos de esquecerem as cavas. Por esse motivo, aqui a menina Lua teve de comprar à pressa um lenço, para o colocar sobre os ombros. Aliás, as senhoras asiáticas que os vendiam à porta da igreja, devo dizer, têm olho para o negócio, porque a maioria dos turistas vai de ombrinho à mostra!



O edifício é colossal, ao melhor estilo gótico, mas, infelizmente, não pudemos tirar fotos no interior. A verdade é que a maior parte dos visitantes ignorava as regras, fotografando e filmando lá dentro, mas nós queremos acreditar que ainda somos civilizados. De qualquer forma, são de salientar os vitrais, assim como as diversas obras religiosas, espalhadas pelos altares. Se tiverem tempo e disposição, visitem o Museu do Duomo e espreitem a estátua de São Bartolomeu, carregando a própria pele.


Do lado esquerdo do Duomo, para quem está de frente para a praça, encontra-se o Palazzio Reale, que tem sempre várias exposições culturais que podem e devem ser visitadas. Devemos dizer que, nesta zona e na zona do nosso hotel, perto da Stazzione Centrale, foram os únicos sítios onde sentimos mais insegurança. A primeira por se tratar de uma zona turística e portanto um alvo fácil e a segunda porque, de alguma forma, concentra os imigrantes que chegam a Milão e ainda não conseguiram uma oportunidade. Nota: dizem que os hotéis do lado direito da estação são maus e os do lado esquerdo são bons… a avaliar pelo nosso, pelo menos a primeira parte pudemos verificar! LOL! No entanto, temos vista para uma das basílicas da cidade, o que já não é mau!


12 Horas OUT - Parte II

Grande parte da tarde nesta nossa maratona foi passada no Museu de Ciência e Tecnologia Leonardo DaVinci, até porque é e-nor-me! Tal como o próprio nome indica, é maioritariamente dedicado ao grande mestre das artes e da engenharia, que passou algum tempo em Milão. No espaço, podemos ver, em tamanho real, algumas das mais emblemáticas invenções do artista, uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquitecto, botânico, poeta e músico. É ainda conhecido como o precursor da aviação e da balística. Leonardo frequentemente foi descrito como o arquétipo do homem do Renascimento, alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção.



Contudo, o museu era realmente interminável e podíamos encontrar de tudo, desde a história de alguns instrumentos musicais, assim como do próprio som em si, até à evolução das primeiras invenções da história, que passava por tudo um pouco, desde meios de transporte a electrodomésticos, passando pelo nascimento da rádio ou do telefone, até ao percurso da joalharia, uma das artes mais importantes de Itália. Pudemos ainda visitar um armazém só de antigas locomotivas e outro onde só existiam barcos (não nos perguntem como é que foram lá parar!) e aviões.



A nossa paragem seguinte foi a Basílica Sant’Ambrogio e Monte Napoleone, uma rua conhecida pelos seus restaurantes e animação nocturna. Bem perto, encontrámos o Hotel Emporio Armani, um verdadeiro império, com restaurante, bar, sapataria, loja de roupa, loja gourmet e mais alguma coisa que consigam imaginar. Era, basicamente, dois quarteirões reservados apenas à marca. Contudo, aproximava-se a hora de jantar e, depois de 12 horas em cima dos pezinhos, resolvemos ir de metro até à zona do hotel.



Devemos dizer que hoje stressámos um bocadinho à procura de um restaurante ABERTO para comer e arrependemo-nos de não ter ficado por Monte Napoleone mais umas horas. Alguns locais da cidade, à noite, ficam praticamente desertos e, sendo sábado à noite, achámos um bocadinho bizarra a ausência de pessoas pelas ruas, até porque estávamos em artérias relativamente principais. Mesmo nos restaurantes, não temos visto grandes enchentes, parece que os italianos não devem ter um culto muito vincado de jantarem fora… Non lo so!

12 horas OUT - Parte I

Saímos do hotel por volta das dez da manhã e o nosso primeiro destino foi o Castello Sforzesco, uma vez que pretendíamos fazer o percurso do dia a pé e, só no final, já afastados do nosso ponto inicial, fazermos a viagem de metro. Não podíamos ter escolhido melhor primeira paragem!



O Castello Sforzesco é um castelo de Milão construído no século XV por Francesco Sforza, tornado pouco depois Duque de Milão, sobre restos de uma fortificação anterior, datada do século XIV. Actualmente, acolhe várias colecções dos museus e galerias de arte da cidade, sendo considerado um cofre-forte artístico, um reservatório de riquezas culturais.



Podíamos passar horas a descrever todas as obras que vimos, mas creio que a Pietà de Rondidini é a mais importante. Adquirida pelo museu em 1952, esta foi a última obra de Michelangelo, que está, portanto, inacabada. Outro dos destaques é para o tecto de uma das salas, pintado por Leonardo Da Vinci, exactamente na mesma época em que pintou «A Última Ceia», mas, por razões óbvias, não alcançou o mesmo mérito.



Frente ao Castello Sforzesco encontra-se o Parco (Parque) del Sempione, é um grande parque público, em estilo inglês, construído por Emilio Alemagna, O jardim paisagístico, onde almoçámos, contém uma Arena napoleónica, o Civico Acquario di Milano (Aquário Civico de Milão), uma torre, um centro de exposições de arte (Trienalle), algumas lagoas e uma biblioteca. No final do parque, encontra-se o Arco della Pace (Arco da Paz).



O caminho fez-se até Santa Maria della Grazie, com o intuito de irmos ver «A Última Ceia», mas… «sold out»! Nota turística: se quiserem ir a Milão e ver «A Última Ceia», de Leonardo Da Vinci, têm de fazer a reserva com um mês de antecedência, para os fins-de-semana, e duas semanas antes, para os dias úteis. Apesar de termos batido com o nariz na porta, apressámo-nos a encontrar o Museu de Ciência e Tecnologia de Leonardo Da Vinci, onde está exposto um fresco, cópia da obra.


Arrivederci Biella! Ciao Milano!

Hoje foi dia de dizermos adeus a Biella, uma cidadezinha da qual ficámos a gostar bastante e que nos deu as boas-vindas a Itália. Por outro lado, foi a nossa chegada a Milão, que marca o início de dois dias de férias reais, uma vez que, até agora, tem sido trabalho das 9h às 20h (e comida, sim, Maria Natália!)… puff!


À primeira vista, não conseguimos perceber porque é que tanta gente disse que iríamos ficar desiludidos com a cidade. Bom, se calhar, devido a tantas más opiniões, a nossa expectativa era fraca e, portanto, sem ilusão não pode haver desilusão. Mas a verdade é que o aspecto de Milão, especialmente o arquitectónico, era um bocadinho daquilo que eu estava à espera. Prédios antigos, mas recuperados, ruas pitorescas e muita actividade. Nota-se a poluição nas fachadas mais acizentadas, mas, na minha opinião, acaba por ser algo característico e expectável!



A nossa chegada à capital da moda foi privilegiada, já que, logo à saída da estação, estava a decorrer uma sessão fotográfica, com apenas uma modelo. Para quem achava que isto só estava concorrido na altura da Semana da Moda, desengane-se! Começámos a ver uma criatura a fazer poses e uma maquilhadora de volta dela e, quando demos por isso, descobrimos o fotógrafo, com uma mega objectiva, por entre os carros estacionados. Que chique!


Apesar do facto de Milão ter uma quantidade muito pequena de áreas verdes, em comparação com outras cidades de seu porte, a cidade possui uma grande variedade de parques e jardins. Está previsto visitarmos alguns… Mas hoje, como chegámos já ao fim da tarde, deu tempo apenas para nos instalarmos e tentarmos encontrar um restaurante. Finalmente, ementas em inglês!!! De qualquer forma, eu e o Filipe estamos já tão habituados que pedimos apenas um prato e uma sobremesa e acabámos por não nos empanturrar em comida, mas estava tudo delicioso!



Ao contrário do que também pensávamos, não nos sentimos inseguros. Seguimos as instruções dos nossos amigos turcos e, no metro, não aceitámos ajudas e comprámos os bilhetes sozinhos e, de resto, viemos a pé para o hotel à noite, percorrendo até uma razoável distância e não vimos problemas de maior. Aliás, passámos inclusivamente por aquele que parecia um dos «hot spots» da cidade, com restaurantes e bares cujos preços voavam da carteira, e um stand de automóveis topo de gama estacionado à porta, como este belo exemplo, com diamantes nas jantes. Luxo!


Cittadella di Biella-Piazzo

Ontem à noite, aproveitámos para ir até à Cidadela, a zona mais antiga de Biella, que data da Idade Média e era uma antiga fortaleza no topo de uma das colinas. Fomos até lá de «funiculare» e pudemos apreciar a paisagem. Ao contrário do que pensávamos (esperamos que se prolongue até Milão), a cidade é muito limpa, muito arranjada, com canteiros sempre floridos e varandas muito apelativas.




A Cidadela não estava diferente. Na verdade, foi possível perceber que a maior parte dos edifícios eram originais, mas recuperados. O tijolinho está sempre muito presente, muito característico da época medieval, e a praça onde jantámos era realmente muito pitoresca!



Depois da pizza, provámos o tiramisú italiano. Segundo a Grande Enciclopedia Illustrata della Gastronomia, aquela que é uma das mais populares sobremesas italianos teve provavelmente a sua origem em Veneza ou Treviso. No dialecto da região, «tiramisú» significa algo como «levanta-me» ou «erga-me», provavelmente numa referência ao café forte, um dos ingredientes da receita.



Na verdade, é difícil confeccionarmos a receita original, uma vez que é feita com um biscoito italiano, chamado savoiardi, criados na corte do Duque de Savoy, em Piemonte, onde se encontra Biella. Apesar de serem muito parecidos ao que conhecemos como palitos de La Reine (ou champanhe), são duas vezes mais duros. De qualquer forma, aqui segue a receita original:


250 ml de café bem forte e adoçado
20 ml de grappa (semelhante a aguardente)
3 gemas
130 g de açúcar
390 g de mascarpone (queijo italiano)
1 caixa de savoiardi
cacau para polvilhar


Adicionar a grappa ao café frio e reservar. Bater as gemas com o açúcar, até obter um creme claro e leve, acrescentando, posteriormente, o mascarpone. Bater novamente até a mistura ficar homogénea e reservar no frigorífico. Os biscoitos devem então ser molhados no café aromatizado, forrando depois o fundo de uma forma e alternando uma camada de biscoitos com uma camada de creme de mascarpone e assim sucessivamente, terminando com o creme. Depois de permanecer no frigorífico por, aproximadamente, três horas, polvilhar com cacau em pó na altura de servir... e buon appetito!

Vicunha

Para aqueles que se queixam das especialidades gastronómicas (Maria Natália, esta é para ti!), aqui vai (mais algum) conhecimento. Lembram-se de eu vos ter falado de um lenço que estava na loja, que custava 1.054 euros? Pois bem, aqui vai a explicação possível...


O material vem de um animal ao qual eles chamam «vicuna», que eu julgo, em português, ser vicunha... not sure. É o animal que possui o menor tamanho entre os camelídeos originais dos Andes, chegando, no máximo, aos 1,30 metros de altura e podendo pesar até 40 quilos. O pêlo da criatura é muito fino e, desde o tempo dos Incas, que é considerado material de alta qualidade. Na altura, só os reis usavam roupas de vicunha e apenas por uma vez, oferecendo-as depois, como forma de homenagear os visitantes.



A vicunha tem um alto valor comercial, que ronda os cinco mil euros por metro, porque o pêlo só pode ser retirado após a morte do animal, o que levou à sua quase extinção, devido à caça ilegal. Actualmente, no Peru, vivem apenas 100 mil exemplares, que estão agora protegidos: a caça é controlada e só pode acontecer de três em três anos. Portanto, o material é raro, o que leva a que as peças cheguem a preços exurbitantes. Mas é um tecido mesmo muito macio, pude comprovar isso com a minha valiosa mãozinha, que foi a única coisa que chegou perto de um lenço de 1.054 euros!



Pronto, satisfeitos com o enriquecimento cultural? Aposto que são mais felizes agora, sabendo que existe, de facto, gente a vestir trapinhos que custam mais do que não-sei-quantos meses do vosso suor. LOL!

A elegância das italianas

Não consigo perceber como é que as italianas se mantêm tão magras! Como eu já disse, o habitual por aqui é comer-se um primeiro prato de massa e arroz e depois comer carne ou peixe. Ambos os pratos são enormes e cheios de comida! Para nós, tem sido impossível provar as duas coisas sem um grande desperdício!


Ontem, ao jantar, provámos um prato de arroz como «entrada» e, assim que o vimos, lamentámos ter pedido o segundo prato. Era uma dose de arroz que dava para um jantar!! A parte boa é que era muito saboroso! Como vos disse, Biella está rodeada de campos de arroz, por isso é um prato muito característico desta zona. Foi talvez o melhor prato de arroz que comemos até agora.



Hoje, ao jantar, aprendi a minha lição e pedi só um prato (mesmo assim, sobrou comida, é a carne na pedra que vêem na fotografia a seguir). Já o Filipe não resistiu a provar um novo prato de arroz. Parece que agora acordámos que é impossível comer as duas coisas, a não ser que se peça apenas um de cada e seja dividido pelos dois. Nenhum comum mortal pode comer tanta coisa em apenas uma refeição, mas desconfio que os italianos tenham ascendência de gauleses.



Só o almoço, num restaurante perto da fábrica, é que é razoável. Pedimos um menu por 13 euros e temos direito ao pão e a dois ou três pratos diferentes, sendo que um deles é sempre massa. Mas as quantidades são decentes, dá para provar e ficarmos bem. Além disso, a comida é sempre muito saborosa! Hoje conseguimos, finalmente, provar o gelado, tão característico de Itália, e não defraudou as expectativas. Nota-se mesmo que é «caseiro», muito menos artificial do que aqueles que aparecem por Portugal.


Ah! Ontem, o Filipe provou o limoncello, um licor feito à base de limão, álcool, água e açúcar, que deve ser bebido bem gelado. Deixo-vos aqui a receita tradicional, para quem quiser provar! LOL!


- 1 litro de álcool puro

- 1 litro água

- 15 limões

- 500g de açúcar


Deixar a casca dos limões junto com o álcool num recipiente fechado, durante uma semana, agitando-o uma vez por dia. Após os sete dias, adicionar os restantes ingredientes, mantendo o recipiente fechado por mais 24 horas. Após esse período, a solução é coada e está pronto. Nos Estados Unidos, é comum beber-se como a vodka, em «shots» e gelado, que foi como se bebeu por aqui. Segundo a tradição siciliana (no sul de Itália), o limoncello é degustado como um licor.

Piacenza Cashmere

Buongiorno, amici!


Depois de uma noite de trovoada (parece que por aqui é habitual), acordámos para o nosso primeiro dia de trabalho. Não sem antes conhecermos o buffet de pequeno-almoço do Hotel Àgora, onde estamos instalados. Para um quatro estrelas italiano (em alguns casos semelhante ao três estrelas português), estamos bastante bem instalados e a oferta para a primeira refeição do dia não nos decepcionou. Pois é, parece que vamos sair daqui com uns quilinhos a mais… troppo male!


Hoje conhecemos Piacenza, a fábrica de caxemira onde vamos trabalhar. Fizemos uma visita guiada às instalações e foi bastante interessante perceber os meandros de um dos tecidos mais caros do mundo. Primeiro de tudo, a caxemira de melhor qualidade vem das cabras da China e da Mongólia e passa por vários processos até fazer aquelas camisolas fofinhas (e sem borboto!) que, por vezes, temos a sorte de experimentar.



Uma das coisas engraçadas é que eles usam cardos verdadeiros, em fila, para retirar o borboto da matéria-prima, conciliando a modernidade com o método tradicional. Há até um pobre coitado que separa os cardos consoante os tamanhos, para que não haja diferenças nos tecidos.



Visitámos ainda a loja e a minha esperança de levar prendinhas em caxemira esbarrou na primeira etiqueta. As camisolas, com alguma mistura de lã, custam, em média, 200 euros… mas quando falamos de caxemira pura, bem, uma écharpe custa a módica quantia de 1.054 euros. Boa sugestão para o Natal, não? Acho que foi uma boa preparação para as montras e preços de Milão. (suspiro)



Mas nem tudo está fora do nosso alcance. Os preços da comida continuam a parecer-nos bastante razoáveis. Ontem, num bom restaurante, comemos os dois por 23 euros e hoje ao almoço cada um pagou 12, sendo que tivemos um almoço tradicionalmente italiano, que, obviamente, terminou com um prato de massa. Segundo nos foi dito, muitas vezes, a massa é o «primeiro prato» e funciona como entrada, sendo que o prato principal é comida mediterrânica, muito parecida à portuguesa... carne, batatas fritas, salada. Aqui, em Biella, o arroz também é visto como «entrada», uma vez que, como já vos disse, a agricultura é muito focada no cultivo do arroz. Antes do prato principal, se quisermos, é servido um prato de arroz… puro e simples (ou não). Estranho, não?

Biella é bella!

Bona sera!


Depois do jantar do nosso primeiro dia, fomos dar um passeio a pé por Biella. De repente, parecia que estávamos na Rua Direita de Aveiro, com a diferença que as casas são muito semelhantes às antigas construções lisboetas, mas muito melhor conservadas. É tudo muito bonitinho, sendo que as janelas têm quase sempre portadas e as varandas estão sempre decoradas com vasos de flores. As flores, aliás, aliadas ao clima (muito!) quente, mesmo às dez da noite, dão à cidade um aroma muito agradável. Parece sempre que estamos no meio do campo!


O tijolinho (que vemos muito por Aveiro também) é igualmente uma presença constante, conciliando os edifícios antigos com as fachadas mais modernas. Os parques e jardins (e existem alguns!) estão bem iluminados e conservados, embora, à noite, os mais jovens prefiram concentrar-se mais próximo dos poucos locais que ainda se encontram abertos: vimos uma geladaria e um ou outro bar. As estradas e os passeios são empedrados, obviamente de influência romana. Tentaremos mostrar fotos em breve, porque, desta vez, o caminho foi feito em velocidade para «desmoer» o jantar!


O comércio tradicional está muito presente por aqui e devemos dizer que, ao contrário do que pensávamos, os preços não são muito diferentes do que se vê por aí. Inclusivamente, algumas marcas italianas (Calzedonia, Intimissimi e Tezenis, por exemplo) são até mais acessíveis do que em Portugal, o que também é lógico. As compras acabam por ser bastante tentadoras, até porque se nota que a variedade é muito maior, mas ainda não abrimos os cordões à bolsa!


Sabem como é que se diz farmácia em italiano?!... Farmacia! Não é espectacular???

Siamo Arrivati!

Pois é, Moonies, chegámos ao topo da bota, eu diria que estamos algures na costura de tão elegante calçado! A viagem correu bem. Apesar de o avião se ter atrasado meia hora, colocaram-nos em business class, que, embora não seja a primeira, era a mais alta daquele avião. O almoço que nos serviram (português!) estava muito saboroso e o chocolatinho no final valeu o upgrade.



Como voámos sempre a uma altitude mais baixa do que quando atravessámos o Oceano Atlântico, até conseguimos apreciar um pouco da paisagem, sobretudo quando sobrevoámos os Alpes. Quase que conseguíamos tocar no topo daquelas montanhas inóspitas, carregadas de neve, que se confundiam com os pedaços de nuvem que passavam. O que vimos passar também foi outro avião e devemos dizer que é realmente assustador ver a velocidade a que se voa, completamente diferente da ideia que temos em terra, onde parece que os «pássaros» andam sempre devagar.



Assim que chegámos, fomos até Biella num Alfa Romeo Mito que fez as delícias dos rapazes. A viagem durou quase uma hora e meia, numa autoestrada muito semelhante às nossas, sendo que a paisagem era maioritariamente de campos de arroz e alguns de milho. Enfim, muito verde e muitas quintas à mistura. Foi possível ainda ver algumas igrejas, muito características desta zona de Itália, onde a arquitectura é com materiais orgânicos e predominam as cores terra. Faz tudo parecer mais rústico, acolhedor e, na nossa opinião, mais bonito do que aquilo a que estamos habituados por terras lusas.



O jantar, como não podia deixar de ser, foi pizza! Vá, sejamos honestos… primeiro, porque é um prato característico de Itália e tínhamos de provar as especialidades, segundo porque não percebemos grande parte da ementa. Tendo em conta que a empregada não falava uma palavra de inglês, fomos pela escolha mais fácil. De qualquer forma, as quantidades são sempre imensas e, até agora, nada defraudou as expectativas. O João Sarraipa, que nos acompanha, pediu costeleta de vaca e teve direito a um jantar digno de um qualquer Obélix da Gália.



Para terminar, algumas curiosidades linguísticas do primeiro dia:
Piano – além de ser «suavemente», quer também dizer andar, como «rés-do-chão» é «piano terra»;
Autonoleggio – aluguer de automóveis
Parcheggio – parque de estacionamento
Uscita – saída (para os aveirenses, também era o nome de uma loja. LOL!)
Ore/Orario – horas/horário

Vamos a Milano!

Pois é, depois de termos sossegado as malas após 30 dias inteirinhos por terras cariocas, eis que nos obrigámos a tirar-lhes o mofo e hoje ainda rumamos a Milão, a capital da moda! Pelo que nos têm dito, Milão deve ser só mesmo isso, porque, enfim, não vamos com uma grande expectativa. Mas, para quem vai trabalhar ao mesmo tempo, tudo o que vier é bónus!

A cidade de Milão, a maior e mais populosa região metropolitana de Itália e a terceira maior da União Europeia, foi fundada sob o nome de Mediolanum pelos Insubres, um povo celta. Actualmente, é uma cidade internacional e cosmopolita, sendo um dos principais centros transportacionais e industriais da Europa e é um dos mais importantes centros da UE para negócios e finanças, com a sua economia sendo uma das mais ricas do mundo.

Milão é conhecida mundialmente como a capital do design, com maior influência global no comércio, na indústria, música, desporto, literatura, arte e mídia, tornando-se uma das cidades principais do mundo. A metrópole é especialmente famosa pelas suas casas e lojas de moda, como a Via Montenapoleone, e a Galleria Vittorio Emanuele na Piazza Duomo, o shopping mais antigo do mundo. A cidade de Verdi tem ainda um rico património cultural e possui uma culinária riquíssima em pratos variados, sendo a origem do bolo de Natal, por exemplo, e o Panetone.

Mas...

A nossa primeira paragem será por Biella, até à próxima sexta-feira. A província de Biella é uma província italiana da região de Piemonte, com cerca de 187.041 habitantes. Faz fronteira a norte, a este e a sul com as províncias de Turim e Vercelli e a oeste com a região Valle d'Aosta.

Mais pormenores, só depois de lá chegarmos!

Bon voyage! =)

The End



O fim já aconteceu há algum tempo, (embora o meu jet lag me faça pensar que a viagem de regresso foi ontem), mas parece que a chegada é ainda mais complexa que a partida e só deu para virmos terminar oficialmente a nossa jornada agora. Saudadinhas? Nós também já temos muitas!...

O último dia foi apenas para fazer as malas. Não, não demorámos o dia todo, mas também não dava para darmos mais largas à imaginação, portanto ficámos mesmo por casa até à hora de irmos para o aeroporto, que já foi tarde! É verdade, a nossa viagem «terminou» com uma grande correria, mais um bocadinho e era uma verdadeira cena de filme... ou telenovela, não estivéssemos nós na terra delas!

Eram engarrafamentos em sítios pouco prováveis, uma correria que atravessou todo o aeroporto e um dos meus primos na fila, desesperado, porque o embarque estava prestes a fechar! Mas acabou por correr bem e até conseguimos transferência para um voo da TAP, directo, porque isto dos aviões espanhóis não anda a correr muito bem e qualquer passagem por Madrid poderia significar mais algum tempo de espera.

Portanto, livrámo-nos do espanholês de nuestros hermanos, da sua comida fraquita, de duas aterragens e duas descolagens, e ganhámos um jantar com tudo a que tínhamos direito no aeroporto :P, a música para os nossos ouvidos do português da tripulação (que saudades!), dos monitores individuais com jogos, filmes e mais alguma coisa de que nos lembrássemos... tanta coisa que dormir parecia difícil!!!

Num voo nocturno, o melhor mesmo era conseguirmos fechar os olhos e lá fomos tentando, embora, pelo meio, acordados subitamente com uma das hospedeiras a perguntar se alguém era médico... Pânico!... Mas não, não era nada com o piloto e tudo indicava que o nosso regresso ao solo (ufa!) estava assegurado... tirando a turbulência (muita!), foi tudo tranquilo. Tudo menos o nosso espírito, que já só queria era chegar à «terrinha»!

Aiii, apesar do fim das férias, foi muito bom voltar ao nosso país, ouvir falar português (real!), saber com o que podemos contar, ver a família, um mês depois, e os amigos! It's good to be home!!! Por outro lado, tomámos-lhe o gosto e, quem sabe, mais próximo do que esperamos, lá estamos nós aqui a escrever de novo, sobre outro qualquer destino paradisíaco... ou não!

Mais uma vez, obrigada por terem acompanhado a nossa viagem, acabou por ser melhor para nós, porque também vos sentimos a todos mais perto e as saudades não pareceram tão arrebatadoras! Obrigada também pelos elogios que recebemos e, já sabem, até à próximaaaaaaaaaaa!...

Despedida


Pois é, o tempo passa mesmo a voar quando nos divertimos e o nosso penúltimo dia no Rio de Janeiro acabou por chegar num abrir e fechar de olhos. Foram umas férias completas, fizemos tudo a que tínhamos direito (e mais alguma coisa!), andámos por lugares que muitos dos cariocas não conhecem, descobrimos a história de um país e a origem da sua cultura e, acima de tudo, aproveitámos ao máximo, fizemos tudo o que queríamos realmente fazer, portanto o balanço só poderia ser positivo!

E, para provar que experienciámos mesmo de tudo (de bom) por terras de Vera Cruz, hoje fomos a uma casamento! LOL! É mesmo verdade, hoje a filha mais velha da actual mulher do meu avô casou-se e fomos convidados! Foi uma coisa muito simples, uma vez que o processo foi pelo civil e a festa só se fará no sábado, mas estivemos presentes no cartório, onde estiveram também mais cinco casais.

Depois, fomos jantar a um restaurante italiano, em plena Copacabana, que serviu também como nosso jantar de despedida, já que amanhã estaremos de volta à "terrinha", da qual, confessamos, já temos algumas saudades!...

Para fechar a nossa "rubrica" gastronómica, deixo-vos com o esclarecimento acerca do aipim, do qual já falámos sucintamente, mas que foi eleita a nossa descoberta mais sabora e, simultaneamente, saudável! Mandioca, apim ou mcaxeira, de nome científico Manihot esculenta, é um arbusto que, teria tido a sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazónia) e que, antes da chegada dos europeus à América, já estaria disseminado, como cultivo alimentar, até à Mesoamérica (Guatemala, México).

No Brasil, a raiz tuberosa da mandioca é consumida na forma de farinhas, da qual se faz a farinha de mandioca e tapioca ou, em pedaços cozidos ou fritos. Está presente também no preparo de receitas típicas da Amazónia, como o tacacá, o molho tucupí e, com suas folhas cozidas, prepara-se a maniçoba. No nosso caso, provámos em forma de puré, pedaços cozidos (substituindo a batata), frito e em forma de bolinhos (muito parecidos com o pão de queijo, mas cujo recheio era aipim). Ficámos, realmente, fãs e vamos descobrir se há à venda em Portugal!
Bom, leitores assíduos, este será o último post escrito a partir do Brasil. Quando chegarmos, encerramos esta etapa do blog. Obrigada a quem se manteve presente, através dos comentários e e-mails, em breve mataremos saudades pessoalmente! Beijões galeeeeeraaaaaaa!...

Floresta da Tijuca




No nosso último dia de passeio, fomos conhecer as praias que ainda não tínhamos visto do Rio de Janeiro, aquelas que ficam a sul da Praia do Pontal, que, se bem se lembram, foi a nossa primeira paragem. Por isso, a viagem de hoje serviu também para fecharmos o ciclo, já que terminámos onde começámos. É verdade, as nossas férias estão a chegar ao fim!...

A nossa primeira paragem de hoje foi na Praia de Guaratiba, situada ao sul da Serra da Grota Funda, incluindo manguezais e o ponto de acesso à Restinga (que são as dunas por aqui) de Marambaia. Nesta área, fica o Centro de Avaliação do Exército (CAEX), que cuida de grande parte da restinga, onde são realizados testes de balística, sendo mais famoso com a denominação de Campo de Prova de Marambaia, palavra que em "tupi-guarani" significa paliçada de guerra.

Por coincidência, estava lá todo um "arsenal" da Rede Globo, curiosamente para filmarem cenas da novela "Três Irmãs", da qual já vos falámos. Inclusive, a actriz Cláudia Abreu encontrava-se pronta para filmar, dentro de um carro em andamento, pelo que pudemos, mais uma vez, ter contacto com a indústria televisiva brasileira e todo o seu equipamento. Foi muito engraçado!

Depois de passarmos por outras praias, assim como a chamada de Prainha, decidimos conhecer a Floresta da Tijuca, em pleno Rio de Janeiro, muito próxima do Corcovado. Preocupado com a falta de água que afectava a cidade, D. Pedro II mandou plantar a Floresta da Tijuca em 1861, sendo este o primeiro exemplo no Brasil de reconstituição de cobertura vegetal com espécies nativas. No final do século passado, já haviam sido plantadas 90 mil árvores, que formam a mata, hoje transformada em parque municipal.
Actualmente, é uma importante área de lazer, com trilhas e espaços privilegiados para prática de desporto, como o ciclismo, corrida e montanhismo. Dispõe ainda de praças com brinquedos para crianças, espaços reservados para churrascos, confraternizações familiares e comunitárias e restaurantes. Mas um dos pontos que mais nos interessou foi a Cascatinha Taunay, no rio Cachoeira, que de "inha" tem muito pouco! :P

Niterói – Fortaleza de Santa Cruz da Barra



E, depois do descanso de ontem, hoje voltámos às nossas explorações, tendo sido altura em que passámos, pela última vez nesta viagem, a ponte Rio-Niterói. O destino era a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, que se encontra no lado oriental da barra da baía de Guanabara, no bairro de Jurujuba, em Niterói.

Juntamente com a Fortaleza de São João, constituiu a principal estrutura defensiva da barra da baía de Guanabara e da cidade e porto do Rio de Janeiro durante o período da Colónia e do Império, sendo, actualmente, a sede da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército.

Na nossa visita guiada, pudemos observar, entre outras coisas, o Relógio de Sol (em pedra de Lioz portuguesa, com algarismos romanos, datado de 1820), a Capela de Santa Bárbara, as masmorras, a chamada Cova da Onça (alegado local de torturas), o local de enforcamentos (no Pátio da Cisterna), o paredão de fuzilamentos (na Galeria 25 de Março), o Salão de Pedra (antigo paiol), as baterias de artilharia, a cisterna, o farol, o mastro da bandeira e a vista privilegiada da barra e da cidade do Rio de Janeiro.

De salientar a Capela de Santa Bárbara, uma das mais antigas do Rio de Janeiro, que remonta ao alvorecer do século XVII e assenta sobre rocha viva. Uma das lendas do local refere-se à imagem de Santa Bárbara, entalhada em madeira, em tamanho natural, erradamente entregue à Fortaleza, mas que, sempre que era colocada numa embarcação para ser devolvida ao Rio de Janeiro, o mar ficava revolto, de forma inexplicável, pelo que a imagem permaneceu naquele local. As coisas que temos aprendido, hein?!

Extras



Como hoje, segunda-feira, foi dia de absoluta descanso (e muito necessário!), decidimos aproveitar para vos falar de duas características muito cariocas, uma das quais até já temos vindo a referir: o Volkswagen Fusca (ou Carocha, como se diz por aí) e a água de coco. São as duas coisas que se vêem a toda a hora e marcam também estas nossas férias.

O Fusca foi o primeiro modelo fabricado pela companhia alemã Volkswagen, tendo sido o carro mais vendido no mundo, ultrapassando, em 1972, o recorde do Ford Modelo T. O primeiro Volkswagen brasileiro foi lançado em 1959, obedecendo, com poucas modificações, ao projecto de Ferdinand Porsche, lançado na Alemanha, vinte anos antes. A origem do nome Fusca está relacionada com a pronúncia alemã da palavra Volkswagen. O nome da letra V em alemão é "fau" e o W é "vê". Ao abreviar a palavra Volkswagen para VW, os alemães pronunciavam "fauvê". A abreviação alemã "fauvê", rapidamente se transformou em "fulque" ou "fulca", que os brasileiros tornaram fusca, mas há locais onde se diz fuqui ou fuca.

Actualmente, o Fusca permanece como um dos carros usados mais vendidos no mercado brasileiro. Conseguimos avistá-lo a toda a hora nas estradas, sempre modelos antigos. A nova versão do Fusca, o Beetle, vimos apenas uma vez. Já as carrinhas Volkswagen, as “pão de forma”, que aqui são chamadas de “vans”, também são moda por aqui, já que servem também de transporte público, devido ao excesso de procura de autocarros. Assim, as carrinhas funcionam de forma semelhante, contudo, muitas delas são ilegais. Por esse motivo, é muito comum ouvir-se dizer que os condutores deste tipo de veículos são os mais perigosos no trânsito (já muito louco!).

Quanto à água de coco, que funciona hoje como destaque gastronómico, é um sumo natural, produzido pelo líquido retido dentro da polpa do coco, o fruto do coqueiro. É rico em potássio, poucas calorias, muitos nutrientes, livre de gordura e com alto poder hidratante. Ajuda no bom funcionamento do intestino e no metabolismo alimentar, é uma bebida diurética. E, para além de todas estas vantagens, é bom! LOL!

A foto que colocámos é um dos vários carrinhos que vendem água de coco que se vêem por aqui, em todo o lado, mesmo nas avenidas mais movimentadas! E, pasmem, também já se vende água de coco engarrafada!... Aliás, também existe em copo, mas industrializada, com uma tampa lacrada, tal como a água. Segundo nos disseram, quanto mais perto do mar estiver o coqueiro, mais doce é a água de coco. Há até quem regue os seus coqueiros com água salgada, para obter melhores resultados. Isto, porque é muito comum os quintais terem coqueiros! :P

Adeus Nova Friburgo



Hoje despedimo-nos de Nova Friburgo, mas, como vos disse, ontem ainda tivemos tempo de visitar o Jardim do Nêgo, um atelier ao ar livre, propriedade do escultor Nêgo Simplício, que inventou, no sítio onde mora, uma técnica singular, esculpindo na terra e na rocha e cobrindo a sua obra, para que crie musgos. Isto, além de evitar a erosão, permite que a natureza abrace a sua criação.

As esculturas são absolutamente magníficas e muito difíceis de descrever. Mesmo através das fotos, é complicado vocês entenderem a dimensão das obras ou mesmo a sua comunhão com o contexto envolvente. Tivemos também oportunidade de conhecer o Nêgo, que nos confessou que é muito trabalhoso fazer a manutenção às esculturas, já que estas são afectadas pela chuva ou até mesmo influenciadas pelo clima seco.

A visita à cidade terminou com a ida à Queijaria Suíça, onde pudemos conhecer a fábrica de queijo e de chocolate e, como não podia deixar de ser, não resistimos a trazer uma embalagem de chocolate suíço, artesanal… Enfim, para trazermos uma recordação… cof cof… para nunca mais nos esquecermos desta viagem absolutamente cultural e histórica… Nunca a História foi tão saborosa!!!

O dia de hoje acabou com uma ida ao teatro, no Rio de Janeiro. Pois é, estamos a tentar absorver todo o conhecimento que podemos e isso faz-se através de novas experiências. Aqui, ao contrário do que se passa em Portugal, há várias salas de teatro nos centros comerciais, assim como aí se vêem as salas de cinema, o que aproxima as pessoas desse tipo de arte e faz com que haja mais público a assistir às peças. Os preços, contudo, não são muito diferentes dos praticados em Portugal.

Nova Friburgo




Ontem fizemos a nossa última viagem para fora do Rio de Janeiro e chegámos a Nova Friburgo, uma cidade localizada na serra, a 136 quilómetros da capital fluminense. Com mais de 178 mil habitantes, o município encontra-se a 846 metros de altitude, pelo que encontrámos o clima português e matámos saudades (ou não!), dando uso aos casacos, que já nos queixávamos que tínhamos trazido em vão!...

Hoje, foi tempo de conhecermos melhor esta cidade, de influência suíça, claro está, já que Friburgo localiza-se naquele país, de onde vieram as 261 famílias que colonizaram a região, entre 1819 e 1820, totalizando 1682 emigrantes, que viveram, inicialmente, da agricultura.

Além do turismo e de ser a segunda maior produtora de flores do Brasil, Nova Friburgo também é conhecida como a “Capital Nacional da Moda Íntima”, pela sua enorme produção, com uma grande variedade de modelos. É, portanto, um pequeno paraíso para o Filipe, já que os outdoors por aqui são apenas e só de publicidade a lingerie, com fotos sugestivas! LOL! Há até mesmo centros comerciais apenas de roupa interior, por onde andámos durante esta manhã, até porque as centenas de modelos são vendidas a preços de fábrica.

Mas a vida não se faz de tangas brasileiras e wonderbras (“pena”, diz o Filipe), então também visitámos Nova Friburgo Country Clube, que, com uma área de 225 mil metros quadrados, dos quais 80 mil fazem parte de um belíssimo jardim, foi construído para ser a residência de Antonio Clemente Pinto, o Barão de Nova Friburgo. Actualmente, parte do local é aberta à visitação pública, enquanto algumas de suas dependências funcionam exclusivamente para os associados ou ocasiões especiais.

E, antes que me deserdem por escrever demais, vou deixar o resto dos nossos passeios para o post de amanhã! Estamos a menos de uma semana do regresso a Portugal e as saudades já apertam de tudo quanto nos espera por aí, principalmente a família e os amigos, mas este mês tem sido muito produtivo e deu-nos algum conhecimento pessoal, que se vai traduzindo, também, numa admiração ainda maior pelo nosso próprio país. (OK, OK, eu calo-me! :P)