Paraty



Nova semana e altura de viajar de novo, para conhecer outras paragens. Desta vez, conduzimos até Paraty, considerada Património Histórico Nacional, uma cidade colonial, que preserva, até hoje, os seus encantos naturais e arquitectónicos, o que, para nós, portugueses, foi como estar numa qualquer localidade alentejana ou mesmo açoriana (aliás, a cidade tem muita influência dos Açores, o que se nota até pela importação da Festa do Divino)... ou até mesmo em Óbidos, à excepção de esta ser uma cidade à beira-mar e não dentro de muralhas!

A cidade foi fundada em 1667, ao redor da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, sua padroeira, e teve grande importância económica devido aos engenhos de cana-de-açúcar (chegou a ter mais de 250), sendo considerada sinónimo de boa aguardente ou, como ainda se diz lá, boa pinga! Lembra alguma coisa, não?... No século XVIII, destacou-se como importante porto, através do qual se escoava, das Minas Gerais, o ouro e as pedras preciosas que embarcavam para Portugal.

Paraty, a cerca de 300 quilómetros a sul do Rio de Janeiro, já foi cenário para 26 filmes, além de 21 novelas, nomeadamente a conhecida "Gabriela", primeira novela da Globo transmitida em Portugal e que principalmente as gerações anteriores tão bem se lembram. De facto, a cidade parece estar parada no tempo, com os seus casarões antigos, mas muito bem conservados, de uma beleza rústica quase incomparável!
Foi lá que descobrimos a origem da expressão "sem eira nem beira"! Hehe! As casas, típicas do Brasil colonial (ou seja, tipicamente portuguesas!), possuem um telhado formado por três linhas de telhas sobrepostas. Abaixo do telhado, havia detalhes, chamados de eira, beira e entre beira, que serviam não só como adorno, mas também para distinguir as diferentes classes sociais dos proprietários. Quanto mais detalhes, mais rico o dono da casa. Assim, uma casa "sem eira nem beira" mostrava a condição humilde do seu dono, tal como hoje a expressão é utilizada para definir uma pessoa sem posses.
Estão a ver o que eu descubro? Assim, compenso a "dieta gastronómica", pelo menos, a literária!!! Mas, amanhã, há cocada! Só faltou o rei, claro... o da cocada preta! Conhecem essa expressão ou tenho de ir entrevistar mais um carioca? :P

2 comentários:

Anónimo disse...

Fixe a explicação do provérbio :) Boas férias q eu tb só volto a dar news na próxima semana, hehe!

Anónimo disse...

Amiguitos, só ontem cheguei da colónia e andava ansiosa por ver as novidades. Fico feliz por ver q n se limitam so às típicas férias de praia. Nada como dar espaço a outras culturas. Inveja, inveja, tenho da comida que aí têm acesso, mas paciência...
Aproveitem bem e continuem a partilhar connosco todas essas maravilhosas experiências.

p.s.- adorei as tattos!!!