Baía de Guanabara




Hoje foi altura de voltarmos ao centro do Rio de Janeiro e termos outro ponto de vista sobre coisas que já visitámos, uma vez que fomos realizar o Passeio Marítimo da Marinha brasileira. Desta vez, para minha sorte, não se tratava de mar aberto e o barco era um antigo rebocador, bastante robusto, pelo que de verde e nauseada só mesmo a própria da baía, que, infelizmente, hoje em dia, encontra-se bastante poluída.

A bordo do rebocador "Laurindo Pitta", o único barco que participou na Primeira Guerra Mundial que o Brasil ainda usa (embora agora adaptado), passámos pelos principais pontos turísticos e históricos da cidade, como o Espaço Cultural da Marinha, a Estação das Barcas de Rio-Niterói, o aeroporto Santos Dummond, o Pão de Açúcar, entre outros.

Também pudemos avistar algumas das dezenas de ilhas da Baía de Guanabara, como a Ilha das Enxadas, com 38 mil metros quadrados, que foi utilizada, inicialmente, como hospital para os marinheiros ingleses que acompanharam a Família Real Portuguesa na sua viagem para o Brasil, mas é, actualmente, o Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW). A Ilha Fiscal é, na nossa opinião, uma das mais bonitas, já que tem um aspecto bastante "principesco", uma vez que D. João VI ali mandou instalar um posto de fiscalização alfandegária e foi iniciada a construção de um castelo de estilo gótico provençal, que acolheu a festa mais notável da época, que ficou conhecida como “O Último Baile do Império”.

Depois da viagem, que durou cerca de uma hora e meia, aproveitámos ainda para visitar o submarino-museu "Riachuelo", construído em 1973, na Inglaterra, e incorporado na Armada brasileira em 27 de janeiro de 1977. O seu nome recorda a batalha naval de 11 de junho de 1865, entre a esquadra paraguaia e uma fracção da esquadra brasileira, sob o comando do Almirante Barroso, ocorrida nas proximidades de um riacho com a mesma designação.

Para terminar mais uma visita histórica ao centro da cidade, passámos também pela Igreja de Nossa Senhora da Candelária, um dos principais monumentos religiosos do Rio de Janeiro, que teve o seu nome associado a um massacre de crianças de rua, em 1993, a Chacina da Candelária, quando vários polícias atiraram, alegadamente sem motivo, contra mais de 70 crianças e adolescentes em frente à igreja, assassinando seis menores e dois adultos sem-abrigo. Conta-se que a chacina terá ocorrido por vingança, mas outra das hipóteses também aponta para a "limpeza" do centro histórico da cidade.

Segundo conta a história (semi-lendária) sobre a origem da igreja, nos princípios do século XVII, uma tempestade quase fez naufragar um navio chamado Candelária, no qual viajavam os espanhóis Antonio Martins Palma e Leonor Gonçalves. O casal fez a promessa de edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Candelária se escapassem com vida. A nau finalmente aportou no Rio de Janeiro e a promessa foi cumprida em 1609. A pequena capela tem vindo a ser, entretanto, ampliada, e, hoje em dia, trata-se de um grande edifício, em que as diversas partes da cúpula, em pedra de lióz portuguesa, foram feitas em Lisboa, assim como as oito estátuas que a enfeitam, esculpidas pelo português José Cesário de Salles.

Esta noite, pela primeira vez, resolvemos também conhecer o Rio nocturno e marcámos presença no Centro Cultural Carioca, um salão da década de 30, que faz parte da história de vários artistas e músicos brasileiros. Nós assistimos ao espectáculo de Letícia Tuí, que lançou o seu CD "Sambaião" em 2007. Através do seu repertório, que inclui sambas, forrós, frevos, afoxés e marchinhas de carnaval, pudemos verificar que chega muito pouco da boa música brasileira a Portugal e, além disso, confirmámos que os músicos cariocas fazem melodias com todo o tipo de instrumentos. Mais um pouco e até o Filipe sambava! Tu, turu, tu tu, turuuuu!...

1 comentário:

Anónimo disse...

Mais uma bela lição de história :)))